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"Rua dos Lagares" (10 min, 2017) es un corto documental del colectivo Left Hand Rotation en colaboración con Habita y las vecinas de las Rua de los Lagares de Lisboa, en lucha contra su desalojo entre marzo y agosto de 2017.

Texto em portugués:

Na Rua dos Lagares nº 25, bairro da Mouraria (Lisboa), 16 famílias iam ser despejadas pelo novo proprietário do edifício, não lhes renovando os contratos. Estava a preparar-se para aumentar fortemente a rendibilidade do edifício: aumentar fortemente as rendas, fazer alojamento local para turismo ou vender eram as várias possibilidades que fazem com que hoje o investimento imobiliário-financeiro corra a Lisboa para, literalmente, fazer milhões, à custa do afastamento, da expulsão, dos despejos dos moradores que já não têm poder de compra para um mercado que se tornou inacessível para a maioria da população trabalhadora em Portugal.

Os moradores e, muito especialmente, as moradoras da Rua dos Lagares não se conformaram com a sua expulsão. Além de não quererem abandonar o bairro que as viu nascer ou em que passaram grande parte da sua vida, não tinham nenhuma alternativa de habitação a preços que conseguissem comportar, nem em Lisboa, nem fora. As rendas hoje ultrapassam largamente os baixos salários que, infelizmente, abundam.

As famílias organizaram-se, exigiram os seus direitos, direito à habitação e o direito a permanecer na cidade onde trabalham, para a qual contribuem diariamente; exigiram ter voz neste processo, recusando a sua saída e pressionando os poderes eleitos. Em vez de pedir ajuda – expressão contaminada por um assistencialismo desempoderador que tanto marca mentalidades no nosso país – as famílias organizaram-se para exigir os seus direitos e fazer ouvir a sua voz, como moradores/as, como cidadãos/ãs. E dirigiram-se aos poderes que têm obrigação, não de ajudar, mas de desenvolver políticas e processos que promovam a justiça social, a igualdade, o respeito pelos direitos.

A Câmara Municipal de Lisboa disse que não havia nada que pudesse fazer, que tal era um problema da lei das rendas (que o governo PS ainda não mudou no que é fundamental), dos proprietários e do mercado. Os moradores e, especialmente, as moradoras, não se conformaram e continuaram a sua luta de várias formas (Santo António Contra os Despejos, pagina de facebook, participação em reuniões de Câmara e Assembleias Municipais, elaboração de vídeos de denúncia e, se fosse preciso, manifestações, concentrações, etc). Elas estavam preparadas para tudo!

E assim, num repente, a CML – pela mão da Vereadora da Habitação Paula Marques – negoceia com o proprietário a renovação dos contratos para mais cinco anos sem aumento de rendas e a execução de obras há muito necessárias. Muito Bem!

Esta bela história ainda não está acabada (é preciso ter os contratos na mão e cinco anos, são cinco anos...), mas é já uma grande vitória. Esta vitória vai para além da Rua dos Lagares, ela ensina-nos que é possível travar os despejos. Que vale a pena nos organizarmos e lutar, que só assim conseguimos conquistar ou manter direitos e fazer valer a justiça social. Ensina-nos também que as autarquias e, especialmente, a Câmara de Lisboa, têm mecanismos para acabar com os despejos. Entre outros: exercer o direito de preferência, quando os prédios estão a ser vendidos, para aumentar o seu parque de arrendamento e evitar a expulsão; negociar com os proprietários a manutenção dos inquilinos em troca de licenciamentos e dos apoios à reabilitação; obrigar a quotas de arrendamento permanente e acessível a todos/as em cada projeto de construção nova ou reabilitação; utilizar as casas municipais do património disperso para realojar quem está a ser expulso dos seus lugares, garantindo que as pessoas permanecem nas suas comunidades; limitar fortemente o Alojamento Local; apertar a regulamentação e fiscalização de obras, etc. etc.

Ainda faltam mudar a lei das rendas e a política de Estado e Municipal que incentiva, que premeia, a especulação. Estes continuam a ser grandes desafios. Há muitas mais famílias a serem despejadas neste momento em Lisboa, e em outras cidades do país. Também elas precisam de solução. Para enfrentar tudo isto temos agora mais força.

Obrigada aos moradores e, especialmente, às moradoras da Rua dos Lagares.

Rita Silva (Habita)

Texto en castellano:

En la Rua dos Lagares nº 25, barrio de La Mouraria (Lisboa), 16 familias iban a ser desalojadas por el nuevo propietario del edificio, no renovándoles los contratos. Se estaba preparando para aumentar fuertemente la rentabilidad del edificio: aumentar claramente los alquileres, crear apartamentos para el turismo o vender, eran varias las posibilidades que hacen que la inversión inmobiliaria-financiera fluya hoy en Lisboa para, literalmente, ganar millones, de la expulsión, de los desalojos de los residentes que ya no tienen poder de compra para un mercado que se ha vuelto inaccesible para la mayoría de la población trabajadora en Portugal.

Los vecinos y, muy especialmente, las vecinas de la Rua dos Lagares no se conformaron con su expulsión. Además de no querer abandonar el barrio que las vio nacer o en que pasaron gran parte de su vida, no tenían ninguna alternativa de vivienda a precios que pudieran soportar, ni en Lisboa, ni fuera. Los alquileres hoy superan ampliamente los bajos salarios que, desgraciadamente abundan.

Las familias se organizaron, exigieron sus derechos, derecho a la vivienda y derecho a permanecer en la ciudad donde trabajan, para la cual contribuyen diariamente; exigieron tener voz en este proceso, rechazando su salida y presionando a los poderes públicos. En vez de pedir ayuda - expresión contaminada por un asistencialismo que tanto marca mentalidades en nuestro país - las familias se organizaron para exigir sus derechos y hacer oír su voz, como habitantes / as, como ciudadanos / as. Se dirigieron a los poderes que tienen obligación, no de ayudar, sino de desarrollar políticas y procesos que promuevan la justicia social, la igualdad, el respeto de los derechos.

El Ayuntamiento de Lisboa dijo que no había nada que pudiera hacer, que era un problema de la ley de las rentas (que el gobierno del Partido Socialista PS aún no ha cambiado en lo que es fundamental), de los propietarios y del mercado. Los vecinos y, especialmente, las vecinas, no se conformaron y continuaron su lucha de varias formas (“San Antonio Contra los Desalojos”, página de facebook, participación en reuniones del ayuntamiento y Asambleas Municipales, elaboración de videos de denuncia, manifestaciones, concentraciones, etc.). Ellas estaban preparadas para todo!

Y así, casi de repente, la CML (Ayuntamiento de Lisboa) - con la responsable de Vivienda Paula Marques - negocia con el propietario la renovación de los contratos para otros cinco años sin aumento de rentas y la ejecución de obras tan necesarias. ¡Muy bien!

Esta hermosa historia todavía no ha acabado (hasta tener los contratos en la mano y cinco años, son cinco años ...), pero es ya una gran victoria. Esta victoria va más allá de la Rua dos Lagares, y nos enseña que es posible frenar los desalojos. Que vale la pena organizarnos y luchar, que sólo así conseguimos conquistar o mantener derechos y hacer valer la justicia social. También nos enseña que los municipios y, especialmente, el ayuntamiento de Lisboa tienen mecanismos para acabar con los desalojos. Entre otros: ejercer el derecho de preferencia, cuando los edificios están siendo vendidos, para aumentar su parque de arrendamiento y evitar la expulsión; Negociar con los propietarios el mantenimiento de los inquilinos a cambio de licencias y de los apoyos a la rehabilitación; Obligar a cuotas de arrendamiento permanente y accesible a todos / as en cada proyecto de construcción nueva o rehabilitación; Utilizar las casas municipales del patrimonio dispersado para realojar a quienes están siendo expulsados de sus lugares, garantizando que las personas permanecen en sus comunidades; Limitar fuertemente el “alojamiento local” (apartamentos para turistas); Ajustar la reglamentación y fiscalización de obras, etc.

Aún faltan cambiar la “ley de las rentas” y la política de Estado y Municipal que incentiva, que premia, la especulación. Estos siguen siendo grandes desafíos. Hay muchas más familias a ser desalojadas en este momento en Lisboa, y en otras ciudades del país. También necesitan una solución. Para enfrentar todo esto tenemos ahora más fuerza.

Gracias a los residentes y, especialmente, a las vecinas de la Rua dos Lagares.

Rita Silva (Habita)


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o Bairro para os moradores: coração alfacinha
 
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