colaborador

Participantes del taller workshop "Gentrificação: colonização urbana e instrumentalização da cultura"

localización

Brasilia (Brasil)

Memoria interditada: cadastramento da diversidade erradicada

Información

Plano pilóto VS Ciudades Satélite

"Hoy en día se critica a Brasilia, se la acusa de ser inhumana, fría, impersonal. Vacía, en suma. No es culpa nuestra si se ha convertido en víctima de las injusticias de la sociedad capitalista."
Oscar Niemeyer

Brasilia comenzó a contruirse en 1956, bajo el proyecto urbanístico conocido como Plano Piloto, del modernista Lucio Costa, discípulo de Le Corbusier, y con Oscar Niemeyer como principal arquitecto.

Paradójicamente, lo que sobre el papel debía ser una utópica ciudad sin división de clases, es hoy una de las ciudades más segregadas del mundo. El eje residencial, en forma de supercuadras, se planificó para la convivencia de todos los estratos sociales que trabajarían en la ciudad administrativa. Sin embargo, el flujo migratorio que se generó en cuatro años de construcción, desbordó las previsiones de una ciudad proyectada para ser habitada por apenas 500.000 habitantes. Los obreros, para los que era impracticable mantener las condiciones de vida que el Plano Piloto había fijado, se ubicaron en las periferias de la ciudad.

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Tras la inauguración de Brasilia en abril de 1969 los barracones donde vivían aquellos que habían contruido la ciudad, fueron declarados favelas ilegales. En 1969, con apenas nueve años desde su fundación, Brasilia ya tenía 79.128 favelados, que vivían en 14.607 barracones. El Gobierno Central solició la erradicación de las favelas en un intento de "preservación" del Plano Piloto. En el mismo año fué creada la Comisión de Erradicación de Favelas, la cual creó la Campaña de Erradicación de Invasores (CEI). Aparecieron así las Ciudades Satélite.

En el fuerte proceso de gentrificación que, durante su construcción, sufrió el Plano Piloto, se erradicaron, junto con las clases más bajas, la diversidad de usos y ocupaciónes, modos de vividenciar el espacio que conforman la identidad cultural de una sociedad.

Los participantes en el workshop "Gentrificação: colonização urbana e instrumentalização da cultura" buscamos en las ciudades satélite de Ceilandia, Guará y Vila Planalto aquello que quedó fuera del Plano Piloto, en un intento de registro de la diversidad restringida.

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Participante: Alessandro Oliveira


SR. ENOS CARVALHO
Testemunho sobre a experiencia de deixar uma cidade no interior brasileiro e vir morar em Brasilia ainda na infância (1969)

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SRA. RITA DE CÁSSIA
Uma história sobre a evolução da percepção sobre os costumes dos primeiros habitantes de Brasilia (1968)

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Participante: Eduardo Duarte

Brasília, o sonho edificado no centro do Brasil. As mãos que ergueram o sonho de uma nação não podem ali viver, covardemente expulsas do símbolo de progresso nacional. Brasília é um poema. Cheio de métrica e rima. Pensado por dois homens. Poesia viva e vivenciada. Cheguei à Ceilândia com a intenção de encontrar ali, lugar dos rejeitados, trechos do poema do Plano Piloto. Logo percebi que Ceilândia não tem métrica e tão pouco rima. É poema também, mas poema de costume. Escrito no cotidiano. Capturei trechos do poema sendo escrito...

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Participante: Adriany Nascimento


VÍDEO 1 - PLANO PILOTO, 214 sul, 11h

"a cidade é isso mesmo
que você está vendo,
mesmo que você
não esteja vendo nada."
Nicholas Behr

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VÍDEO 2 - CEILANDIA, Setor O, 11h

A vida do Plano Piloto reside no Entorno.

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Participante: Miguel William Laudiano

VILA PLANALTO
Percebo a Vila Planalto como um exemplo onde o processo de gentrificação está ocorrendo. A vila interessa como exemplo de contradição ao planejamento da capital. É a anti-Brasília. O oposto da capital moderna. Em pleno coração do grande conjunto habitacional, sobrevive um vilarejo provinciano com aspectos bucólicos, representado na forma através de pequenas ruas e casas simples.

O bairro começa como um dos primeiros acampamentos para operários e engenheiro ocupados na construção de Brasília. Após a inauguração da capital, o bairro resistiu na clandestinidade até ser reconhecida como Patrimônio do Distrito Federal em 1988 (Bsb foi reconhecida Patrimônio da Humanidade em 1987), e até os dias atuais a propriedade da terra ainda não foi resolvida, sem a escritura definitiva da propriedade. No entanto a Vila Planalto é um parcelamento regular, com legislação urbanística completa e vigente . Em relação à situação fundiária, a Vila Planalto foi incorporada ao patrimônio da Companhia Imobiliária de Brasília – TERRACAP, em junho de 1990, com autorização provisória de ocupação e uso, com critérios definidos e vigentes. Quanto ao licenciamento, não existe qualquer obra licenciada na Vila Planalto.

PROLIFERAÇÃO DE VILA DO CHAVES (VILA DO CHAVO): CORTIÇOS E FLATS DE LUXO
Levantamento oficial realizado em 2006 , verificou a existência de 81 casos de fracionamento de lotes, cerca de 8% do total de lotes registrados.

Além do fracionamento físico dos lotes, foram constatados o fracionamento de unidades habitacionais, a criação de condomínios urbanísticos e a implantação de edificações coletivas com características de pousada/hotel. Constatou-se também 188 construções com dois pavimentos e 22 com três pavimentos, totalizando 210 construções com mais de um pavimento, representando cerca de 20% do total de 1.020 lotes do parcelamento oficial (o Censo de 2000 feito pelo IBGE constatou a existência de 1634 domicílios). No que diz respeito à ocupação de áreas públicas, foram constatadas ocupações de becos, áreas intersticiais, adjacentes a lotes e conjuntos, destinadas a urbanização – áreas verdes, circulação e praças.

CARACTERÍSTICAS DOS MORADORES DA VILA PLANALTO
Conhecidos por Vilenos, a população recenseada em 2000 era de 5965 habitantes, estima-se que em 2011 alcance cerca de 8.000 habitantes, composta por descendente de pioneiros e dos primeiros trabalhadores da esplanada dos ministérios, motoristas, serviçais e cozinheiros (morou na vila o Sr. Rosental, cozinheiro do presidente JK), garçons, professores universitários, artísticas, músicos e artesãos. Isto é, ali há a representação da diversidade que é a população brasileira.

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Participante: Nico Dubois

In this selection of pictures, one can see the diversity and the challenges existing in two of Brasilia’s satellites towns. After one complete day of field trip (13/09/11), I tried to identify different social/urban processes, which can be sometimes related to the overall theme of the workshop: “gentrificaçao” (gentrification). Even though this was a very short experience to really understand the different territories, I tried to explain one reality: my analysis from that day, when I wandered around Celandia and Guara II.

In the first selection of pictures, you will see scenes of appropriation of public space by the inhabitants and some cases of informal uses of the public space (improvised garden, creative means of transportation, street vendors), in both Celandia and Guara II.

The second folder includes photos representing the privatisation of public space, the tendency to build “fences” along the streets, mostly in Guara II. In some cases it could be a sign of gentrification (electric fences, hi-tech system of protection).

The last selection is a summary of what the life of the “deslocados” could be like (people victim of the gentrification process). Pretending to be one of those, I tried to summarize what it is like to go from Guara II or Celandia to the center of Brasilia, back and forth, every day. It includes life scenes from Celandia but also Guara II, and the crowded Rodoviaria station (Central Station).

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Participante: Noelia Ferreira

"Brasília é construída na linha do horizonte. – Brasília é artificial. Tão artificial como devia ter sido o mundo quando foi criado. Quando o mundo foi criado, foi preciso criar um homem especialmente para aquele mundo. Nós somos todos deformados pela adaptação à liberdade de Deus. Não sabemos como seríamos se tivéssemos sido criados em primeiro lugar, e depois o mundo deformado às nossas necessidades. Brasília ainda não tem o homem de Brasília. – Se eu dissesse que Brasília é bonita, veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas de digo que Brasília é a imagem de minha insônia, vêem nisso uma acusação; mas a minha insônia não é bonita nem feia – minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil; eles ergueram o espanto deles, e deixaram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério. – Quando morri,um dia abri os olhos e era Brasília. Eu estava sozinha no mundo. Havia um táxi parado. Sem chofer. – Lucio Costa e Oscar Niemeyer, dois homens solitários. – Olho Brasília como olho Roma: Brasília começou com uma simplificação final de ruínas. A hera ainda não cresceu. – Além do vento há uma outra coisa que sopra. Só se reconhece na crispação sobrenatural do lago. – Em qualquer lugar onde se está de pé, criança pode cair, e para fora do mundo. Brasília fica à beira. – Se eu morasse aqui, deixaria meus cabelos crescerem até o chão. – Brasília é de um passado esplendoroso que já não existe mais. Há milênios desapareceu esse tipo de civilização. No século IV a.C. era habitada por homens e mulheres louros e altíssimos, que não eram americanos nem suecos, e que faiscavam ao sol. Eram todos cegos. É por isso que em Brasília não há onde esbarrar. Os brasiliários vestiam-se de ouro branco. A raça se extinguiu porque nasciam poucos filhos. Quanto mais belos os brasiliários, mais cegos e mais puros e mais faiscantes, e menos filhos. Não havia em nome de que morrer. Milênios depois foi descoberta por um bando de foragidos que em nenhum outro lugar seriam recebidos; eles nada tinham a perder. Ali acenderam fogo, armaram tendas, pouco a pouco escavando as areias que soterravam a cidade. Esses eram homens e mulheres menores e morenos, de olhos esquivos e inquietos, e que, por serem fugitivos e desesperados, tinham em nome de que viver e morrer. Eles habitaram as casas em ruínas, multiplicaram-se, constituindo uma raça humana muito contemplativa. – Esperei pela noite, noite veio, percebi com horror que era inútil: onde eu estivesse, eu seria vista. O que me apavora é: é vista por quem? – Foi construída sem lugar para ratos.

Toda uma parte nossa, a pior, exatamente a que tem horror de ratos, essa parte não tem lugar em Brasília. Eles quiseram negar que a gente não presta. Construções com espaço calculado para as nuvens. O inferno me entende melhor. Mas os ratos, todos muito grandes, estão invadindo. Essa é uma manchete nos jornais. – Aqui eu tenho medo. – Este grande silêncio visual que eu amo. Também a minha insônia teria criado esta paz do nunca. Também eu, como eles dois que são monges, meditaria nesse deserto. Onde não há lugar para as tentações. Mas vejo ao longe urubus sobrevoando. O que estará morrendo meu Deus? – Não chorei nenhuma vez em Brasília. Não tinha lugar. – É uma praia sem mar. – Mamãe, está bonito ver você de pé com esse capote branco voando (É que morri, meu filho). – Uma prisão ao ar livre. De qualquer modo não haveria pra onde fugir. Pois quem foge iria provavelmente para Brasília. Prenderam-me na liberdade. Mas liberdade é só que se conquista. Quando me dão, estão me mandando ser livre. – Todo um lado de frieza humana que eu tenho, encontro em mim aqui em Brasília, e floresce gélido, potente, força gelada da Natureza. Aqui é o lugar onde os meus crimes (não os piores, mas os que não entenderei em mim), onde os meus crimes não seriam de amor. Vou embora para os meus outros crimes, os que Deus e eu compreendemos. Mas sei que voltarei. Sou atraída aqui pelo que me assusta em mim. – Nunca vi nada igual no mundo. Mas reconheço esta cidade no mais fundo de meu sonho. O mais fundo de meu sonho é uma lucidez. – Pois como eu ia dizendo, Flash Gordon... – Se tirasse meu retrato em pé em Brasília, quando revelassem a fotografia só sairia a paisagem. – Cadê as girafas de Brasília? – Certa crispação minha, certos silêncios, fazem meu filho dizer: puxa vida, os adultos são de morte. – É urgente. Se não for povoada, ou melhor, superpovoada, uma outra coisa vai habitá-la."
Clarice Lispector, pensadora Brasilera.

Encontre en sus palabras la descripcion perfecta de los fragmentos que hoy leo en Brasilia. Ciudad de pocos para pocos, de espacios inhabitados, de noches sin luces, de espacios publicos ausentes. Hoy 51 anhos despues, la misma de antes.

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Participante: Pedro Ernesto

Pessoas. É legal ver elas nas ruas, andando, vivendo, comprando os ingredientes daquele almoço especial em família na mercearia da rua, os ambulantes expondo seus produtos infinitamente por percursos totalmente diferentes todos os dias, o comércio jogando suas mercadorias nas ruas como quem quer conquistar o andarilho que esta apenas a passeio. Parece que as construções e os espaços fossem uma extensão do próprio corpo.

Em Brasília (Brasília no sentido da cidade que vai além do Plano Piloto) você consegue ver de tudo de forma bem definida e setorizada. Parece que quando se planeja algo para muitas pessoas, se esquece de todos os eventos que acompanham a linha do planejamento que criamos todos os dias como um norte a nos guiar, mas que é tão mutante.

ernesto
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